O IMPACTO DO AQUECIMENTO NA PRODUÇÃO DE TOMATE EM ESTUFA

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O IMPACTO DO AQUECIMENTO NA PRODUÇÃO DE TOMATE EM ESTUFA

Rui Vicente
1.0 O IMPACTO DO AQUECIMENTO NA PRODUÇÃO DE TOMATE:
Durante os meses mais frios, entre Dezembro e Março, é inevitável o aquecimento da cultura do tomate, isto quando se pretende iniciar a colheita em finais de Março ou início de Abril. O aquecimento com gás ou gasóleo simplesmente não são solução, devido aos enormes custos de produção. Com o baixo preço da biomassa, este problema deixa de o ser, tornando possível o aumento da temperatura no interior da estufa, levando a planta a entrar num ciclo produtivo mais rápido e equilibrado. A temperatura mínima para o desenvolvimento vegetativo da cultura do tomate é um dos factores principais ao desenvolvimento precoce, temperatura que se situa entre 8°C  e 12°C.

1.1 A BIOMASSA:
Após estudo concreto em estufas agrícolas, a biomassa, nomeadamente o caroço de azeitona, produz energia térmica por hectare de aprox. 540.000kW, ou seja cerca de 100.000kg de biomassa, com um custo total anual aproximado de 10.000,00€.

1.2 OS COMBUSTIVEIS FÓSSEIS:
Para a mesma produção térmica de 530.000kW, ou seja cerca de 45.000kg de gas propano, os custos com este combustível disparam para 54.000,00€ por hectare. Alem de serem mais poluentes, os combustíveis fósseis são também os mais caros no mercado do aquecimento, e a tendência é de continuarem a subir.
       
2.0   PREVISÃO DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS:
           
2.1   Consumo por 6.5 hectares:

                 Gás 300.000 kg*                              Caroço azeitona 650.000 kg*

Energia térmica 3.525.000 kW                              Energia térmica 3.525.000 kW
Energia por kg 11.75 kW                                      Energia por kg 5.3 kW
Preço por kg 1.20€                                              Preço por kg 0,10€
        TOTAL 360.000,00€                                             TOTAL 65.000,00€

2.2   Consumo por 1 hectare:

                 Gás 46.154 kg*                                         Caroço azeitona 102.322 kg*

Energia térmica 542.308 kW                                        Energia térmica  542.308 kW
Energia por kg 11.75 kW                                            Energia por kg  5.3 kW
Preço por kg 1.20€                                                 Preço por kg  0,10€
       TOTAL 55.384,80€                                                TOTAL  10.232,20€

*Valores aproximados

3.0   O IMPACTO AMBIENTAL DOS COMBUSTÍVEIS NA ACTIVIDADE:

3.1   Emissões CO2 por 6.5 hectares:
                Emissão CO2 Gas Propano:                           Emissão CO2 Caroço Azeitona:

  Energia térmica 3.525.000 kW                                 Energia térmica 3.525.000 kW
  Consumo em kg 300.000 kg                                       Consumo em kg 650.000 kg
Emissão CO2 /kg 2.6 kg                                        Emissão CO2 /kg 0,06 kg
Emissão CO2 Total 780.000 kg*                           Emissão CO2 Total 39.000 kg*

3.2   Emissões CO2 por 1 hectare:
                Emissão CO2 Gas Propano:                           Emissão CO2 Caroço Azeitona:

Energia térmica   542.308 kW                                 Energia térmica 542.308 kW
Consumo em kg        46.154 kg                                   Consumo em kg 102.322 kg
Emissão CO2 /kg 2.6 kg                                            Emissão CO2 /kg 0,06 kg
Emissão CO2 Total 120.000 kg*                                  Emissão CO2 Total 6.140 kg*

*A biomassa provém de um ser vivo, que ao longo da sua vida converteu em oxigénio o equivalente ao que irá produzir em CO2 na altura da sua queima, pelo que se deve considerar um factor de CO2 nulo.


4.0   NOTAS:
O cálculo de consumo considera CAROÇO DE AZEITONA com 10% de humidade. Sendo o factor de humidade variável, deverá ser sempre considerado um consumo de 10 a 15% superior à estimativa.
O presente cálculo foi elaborado em função da potência térmica e libertação de CO2 do gás propano (fonte Galp Energia), potência térmica e libertação de CO2 do caroço de azeitona (fonte CBE, Centro de Biomassa e Energia).

Comprimentos,
Rui Vicente